Evidenciada a eficácia dos contraceptivos orais no tratamento da dismenorréia relacionada com a endometriose
De acordo com uma publicação na edição de novembro da Fertility and Sterility, o tratamento com pílula contraceptiva oral em baixa dose pode reduzir a dismenorréia e a dor não-menstrual associada à endometriose.
Dr. Tasuka Harada, da Tottori University School of Medicine em Yonago, Japão, e colaboradores avaliaram os resultados de 100 mulheres que receberam aleatoriamente pílula contraceptiva oral (etinilestradiol associado à noretisterona) ou placebo. Na maioria dos casos, a endometriose foi confirmada radiologicamente em vez de cirurgicamente.
A pílula contraceptiva oral foi utilizada por 21 dias seguidos por 7 dias de placebo, enquanto o grupo controle utilizou as mesmas pílulas de placebo por 28 dias. Analgésicos usuais foram permitidos. As participantes foram tratadas por quatro ciclos e, então, uma escala de classificação verbal e uma escala analógica visual foram empregadas para avaliar a limitação relacionada com a dismenorréia e a utilização de analgésicos.
Ambos os grupos apresentaram melhora na pontuação da dismenorréia comparados aos valores de referência, indicou o artigo. Ao longo de todo o período de tratamento, contudo, esse sintoma foi significativamente mais leve nas mulheres que receberam pílula contraceptiva oral.
Especificamente, a pontuação da escala analógica visual para dismenorréia diminuiu de 58,7 para 27,6 no grupo que utilizou pílula contraceptiva oral, e de 55,8 para 46,2 no grupo placebo. Alterações correspondentes na escala analógica visual para dor não-menstrual foram de 27,5 para 19,1 e de 22,8 para 21,0.
Os pesquisadores apontam que o tratamento com contraceptivos orais também esteve associado a uma redução importante no volume do endometrioma, um efeito não observado com a utilização do placebo.
A pílula contraceptiva oral foi, no geral, bem tolerada e não se associou a nenhum efeito adverso grave. Sangramento uterino irregular e náuseas, contudo, foram significativamente mais comuns com a utilização do componente ativo do que com o placebo.
“O presente estudo demonstrou claramente pela primeira vez que os contraceptivos poderiam ser utilizados de forma eficaz e segura para tratar a dor associada à endometriose”, conclui a equipe de Dr. Harada.
Fertil Steril 2008;90:1583-1588
Fonte: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?LangType=1046&menu_id=513&id=15716