Transplante de medula óssea com toxicidade reduzida pode curar a anemia falciforme
Os resultados de um estudo pequeno sugerem que a anemia falciforme pode ser curada com o transplante de células hematopoiéticas utilizando um esquema de condicionamento de intensidade reduzida.”O transplante de medula óssea é a única cura conhecida para a anemia falciforme. Mas os médicos têm evitado realizá-los nestes pacientes, pois as complicações de um transplante tradicional de medula óssea podem ser fatais”, o Dr. Lakshmanan Krishamurti, do Children’s Hospital of Pittsburgh, Pensilvânia, afirmou em uma declaração.
“Através da abordagem de intensidade reduzida que desenvolvemos”, acrescentou, “a possibilidade de complicações é drasticamente reduzida. Este estudo oferece uma esperança de cura para milhares de pacientes com anemia falciforme grave”.
Em seu estudo, a equipe de pesquisa avaliou os desfechos de sete pacientes submetidos ao transplante de medula óssea entre irmãos com compatibilidade HLA após receberem um regime de condicionamento de intensidade reduzida consistindo de fludarabina, busulfan, globulina antitimócitos de origem eqüina e irradiação linfóide total com proteção de pulmões, fígado, coração e gônadas no dia 1. A ciclosporina e o micofenolato mofetil foram usados para a profilaxia da doença enxerto versus hospedeiro.
Os pesquisadores relataram as suas descobertas no periódico Biology of Blood and Marrow Transplantation de novembro.
O regime de condicionamento de intensidade reduzida, observam os autores, foi bem tolerado e a recuperação hematopoiética ocorreu em todos os pacientes.
Em 2 a 8,5 anos após o transplante, seis dos pacientes apresentavam um estabelecimento estável da imunossupressão e não apresentavam nenhum sintoma relacionado com a anemia falciforme, indica o relatório.
Embora um quimerismo misto tenha sido notado nos compartimentos linfóides e mononucleares, a eritropoiese observada nos seis pacientes com enxertamento estável, era na maior parte, ou totalmente, de origem do doador.
Fonte: Biol Blood Marrow Transplant 2008;14:1270-1278.